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Reflexões com Sentido - Setembro





Setembro é um mês geralmente de pouca tranquilidade… a palavra “SETEMBRO” traz consigo um suspiro, um revirar de olhos, por vezes algum desânimo que conjuga com esperança, apostas, promessas. Para uns, olhos brilhantes e entusiasmo, para outros o fim de um período descansado. Uns traçam planos de estudo, outros vêem-se a braços com um pesadelo. Mês de contas para os pais, nervosismo para os miúdos. Nenhuma criança gosta de ficar aquém do que os adultos esperam deles. Nenhum adulto espera pouco da sua criança. Equilíbrio difícil este!


Afinal, o que podemos fazer? Pergunta difícil, com muitas respostas a conjugar.

Em primeiro lugar, devemos olhar para a nossa criança, com olhos sérios - conhecê-la, respeitá-la. Em segundo lugar, perguntarmo-nos o que podemos enquanto pais fazer para permitir que as suas potencialidades sejam exploradas. Sim! Falei em potencialidades a serem exploradas e não dificuldades a serem ultrapassadas. Faz a diferença? Claro! Até porque os resultados escolares não definem a nossa criança. Há tantos fatores a ter em conta. Há tantas qualidades nos nossos miúdos.


Ora então depois de conseguirmos olhar para os nossos miúdos, vamos criar as condições necessárias para o crescimento (e não só para aprendizagem por si só!). O que há a ter em conta?


- Espaço organizado (com o apoio da criança):

Sítio próprio, arrumado para guardar todo o material;

Compra do material como um momento importante;

Boa luminosidade;

Post-its ou frases motivadoras (ou desenhos feitos pelos pais para quem não sabe ler!)


- Horários definidos

Rotinas trazem capacidade de antecipação;

Horários diminuem eventuais discussões;

O planeamento e seu cumprimentos traz segurança.


- Atividades escolhidas em parceria com os miúdos

Não precisam (nem devem) ser “50 000” atividades;

Uma atividade escolhida deve ser um compromisso para o ano letivo (evitar as desistências tão típicas do inverno!)

Agendas muito preenchidas são preditores de stress e cansaço.


- Estabelecer momentos de brincadeira livre e momentos em família

Onde está escrita a ideia de que só podemos ter momentos descansados nas férias?

Criem no plano semanal momentos de prazer – passear, correr na chuva, ir ao cinema, fazer piquenique na sala ou até convidar amigos para brincar.


- Fazer o exercício de nomear e listar todas as qualidades dos nossos filhos

As notas não definem uma pessoa;

As notas nem sequer definem, por si só, o saudável desenvolvimento da criança nem as suas capacidades;

Quando algo não corre como pretendido, procurem ajuda especializada para avaliar o que se passa.


- Estar atentos às mudanças comportamentais

Mais isolados e calados ou mais agitados e com comportamentos desadequados;

O comportamento é sempre a consequência dos nossos pensamentos (que se referem a situações, experiências, memórias, …) e que conduzem a uma emoção.



Pensamento – Sentimento – Comportamento

Exemplo

Pensamento: Eu não sou inteligente. As notas demonstram que não sou bom aluno como os meus pais queriam.

Sentimento: Tristeza, frustração, medo, ansiedade e/ou raiva.

Comportamento: desleixo, pouco empenho, isolamento ou procura por pertencer a algum grupo.


A forma como cada um sente e se comporta após estes pensamentos vai depender do seu perfil de funcionalidade como de outras experiências, do que vê e de todos outros pensamentos associados que já surgiram. Com este exemplo só se pretende demonstrar que o nosso objetivo enquanto pais não pode ser de controlar comportamentos ou até reprimir emoções, mas sim de ajudar na elaboração de pensamentos alternativos, criando condições e cuidando da nossa forma de ação para que se reúnam fatores preditores de crianças mais tranquilas.

Sem frases como: este ano vai ser difícil, vais ter exames ou provas, tens de te esforçar muito, o teu irmão conseguiu, ….


O nosso discurso deve ser positivo! Este ano vai ser um desafio e vou ajudar-te a superar! O que achas que precisas? Tu és tão bom a fazer "XXX", que podemos aproveitar essa tua capacidade para outras aprendizagens. Vamos procurar uma pessoa para nos ajudar a que estejas mais tranquilo. Amo-te pelo que tu és!


Outras sugestões:

- Bilhetes com frases motivadoras que podem estar nos sítios menos esperados (espelho do wc, mochila, estojo, no meio de um livro, …)

- Ouvir a criança e validar o que sente;

- Fazer surpresas;

- Incluir a criança na definição e na organização de toda a rotina, fazendo parte dela!

- Não esquecer: do quadro/agenda/plano de rotinas – a maior segurança para quem está a desenvolver ainda o seu poder de abstração e precisa de antecipar o que é esperado dela.


Se precisarem de apoio, não hesitem em contactar!


Setembro é um mês de transformação, de recomeço, de um novo capítulo. Troquemos a tristeza do fim do mês de férias para “agora que estou com energias renovadas, estou com muita vontade de voltar às minhas rotinas e cheio de planos”.


Se o pensamento é o que antecede a forma como sinto e como me comporto, então os pensamentos devem assentar no que há de bom e de positivo!


Será que faz a diferença?


Bom regresso à escola!


Eloísa Mendes, psicóloga

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